Entrevista: Um giro pelo mundo

Muitas pessoas tem o desejo de rodar o mundo mas poucos fizeram na prática, o casal Carol e Alexis é um desses poucos aventureiros, eles literalmente estão fazendo um giro pelo mundo. Foram 2 anos planejando esse desafio até por o pé na estrada. A viagem da dupla pode ser acompanhada em tempo real através do site Kiki Around the World e tem previsão para terminar em outubro de 2013 quando retornam ao Brasil.
Sossusvlei - Dune 45
Viajando pelos quatro cantos do mundo há exatos 656 dias, eles já visitaram 43 países, 264 cidades, resultando até o momento em 169.477 km percorridos. Ná África, eles estiveram em 6 países (África do sul, Namíbia, Botswana, Zambia, Malawi e Tanzania) e nessa entrevista a Carol nos contará como foi essa experiência a bordo de um overland tour.
Orange River
Mas o que seria uma overland tour? Um caminhão adaptado com capacidade para aproximadamente 20 passageiros, com diferentes roteiros, cruzando países de norte a sul do continente africano.  Alguns desses itinerários podem levar dias, semanas ou até mesmo meses, atravessando desertos, savanas, cidades e vilarejos, pernoitando em lodges ou campings.
Spitzkoppe
Nessa entrevista a Carol nos contará um pouco mais sobre essa aventura:
AE- Vocês estiveram na África de overlanding(safari de caminhão) como foi essa experiência de cruzar diversos
países a bordo de um caminhão na cia de várias pessoas de diversas partes do mundo?
Carol: O Overlanding foi a melhor solução pra nossa viagem, pois a gente tinha 40 dias e quando fizemos o plano não tínhamos a menor idéia do que fazer. No início pensávamos em fazer somente a África do Sul e a Tanzânia, mas no caminho encontramos vários viajantes que tinham feito essa experiência e todos tinham amado. Começamos a pesquisar na internet e achamos um roteiro perfeito que saia da África do Sul até terminar na Tanzania. 

A opção do overlanding é perfeita pra pessoas com pouco tempo, como era o nosso caso, pois você consegue visitar mais lugares em pouco tempo, sem o estresse de ter que organizar toda a viagem, já que os pontos de interesse são isolados, muitas vezes requerem longos deslocamentos e o transporte terrestre nem sempre funciona bem. Passamos 33 dias na cia de outros 20 viajantes, um guia e um motorista e foi simplesmente incrível, pois os sistema do overlanding é colaborativo, onde todos devem ajudar com as tarefas do dia-a-dia, como cozinhar, lavar a louça, limpar o caminhão, montar o camping. Os integrantes são divididos em grupos e as tarefas de cada grupo mudam diariamente, com isso, você acaba naturalmente interagindo com todo mundo e vira uma rotina diferente de uma viagem normal.

Além disso a gente dormia em lugares incríveis, sempre acampando, e na maioria das vezes tínhamos um forte contato com a natureza, dormindo em meio a uma paisagem deslumbrante, ao lado de zebras, dentro de um safari, no meio da floresta… Fazíamos uma fogueira todos os dias e todos comiam em torno dela batendo papo e dando risadas.

Essa foi certamente uma das experiências mais incríveis da nossa viagem e se pudéssemos faríamos tudo novamente e um roteiro ainda mais longo. 

Sossusvlei - Dead Vlei

 
AE- Qual país te surpreendeu mais dentre os seis e porque?
Carol: O país que mais nos surpreendeu foi a Namíbia. Primeiro pela variedade de paisagens impressionantes, como as incríveis dunas de Sossusvlei e o maravilhoso oasis de montanhas em Spitzkoppe; e segundo pela oportunidade única de apreciar a vida selvagem no parque Etosha, que com os seus poços de água bem no meio do parque nos permite passar horas apreciando as centenas de animais que chegam a cada minuto pra beber água. Uma cena inesquecível! Mas o país que mais nos impressionou pelas pessoas foi o Malauí, pela simpatia, simplicidade e por representar mais a verdadeira África. Visitar a vila de pescadores em frente ao lago Malauí e interagir com os locais foi uma experiência e tanto.
Etosha National Park
 
AE- Qual foi o momento mais marcante durante a viagem?
Carol: É difícil escolher pois é o tipo de viagem que você se sente num conto de fadas a cada dia. Mas acho que a lembrança mais marcante é a de compreender a grandeza e a magia da natureza, quando você vê com os seus próprios olhos os animais selvagens livres na natureza. Uma sensação de liberdade e harmonia que faz você refletir sobre outros aspectos da vida e faz você se sentir mal por um dia ter pisado em um zoológico. É um sentimento difícil de explicar e que só vivendo pra entender.
Our overland tour group - We will miss everybody
AE- Qual é a melhor e a pior parte em se tratando de um overland?
Carol: As vantagens do overland são a praticidade por conseguir ver tantas coisas impressionantes em pouco tempo, a oportunidade de interagir com outras pessoas de todo o mundo, de relaxar e aproveitar ao máximo a sua viagem sem ter que se preocupar com nada. As desvantagens são o fato de estar preso a um roteiro e não ter flexibilidade pra mudar o plano, o pouco contato com os locais, uma vez que tudo é organizado pelo tour e a falta de controle nos safares, onde talvez você quisesse passar 3 horas olhando os leões mas você não tem essa opção.
Okavango Delta
 
AE- Quais são seus planos quando a viagem terminar?
Carol: Shiii… Temos muitos planos. Mas só uma coisa posso garantir. Nossas vidas nunca mais serão as mesmas de antes. Viajar o mundo fez bem pro nosso corpo, cabeça e alma. Nos sentimos pessoas transformadas após tudo o que vivemos e fica quase difícil descrever em palavras o que tudo significou pra gente. Saímos da bolha em que vivíamos no nosso dia a dia e passamos a ver o mundo de todas as formas diferentes. Todos os dias aprendemos alguma coisa com cada pessoa que cruzou os nossos caminhos, cada nova cultura que interagimos, cada idéia criativa que nos deparamos, cada maravilha da natureza, cada nova forma de se fazer uma mesma coisa, cada simples momento da vida. Foi atividade intensa pro nosso cérebro e puro alimento pra criatividade que abriu as nossas mentes pra uma nova forma de ver o mundo e as nossas vidas. Todo aquele medo que a gente tinha no início do incerto se transformou em um mundo de oportunidades. A coragem de largar tudo se multiplicou e agora virou combustível pra vivermos todos os sonhos de nossas vidas e nunca nos sentimos tão poderosos para viver a vida que queremos de verdade. Apesar da aventura estar quase no fim nos demos conta de que ela na verdade não está acabando, ela está apenas começando. A vida nunca foi tão excitante!
Cape Town - Camps Bay
 
AE- Qual país você sugeriria para alguém que esta pensando em visitar o continente negro? 
Carol: A gente prefere não responder essa pois achamos que a nossa opinião seria meio irresponsável, uma vez que não conhecemos quase nada do continente. De fato a Namíbia tá nos países top 10 do mundo pra gente, mas fica difícil avaliar sem ter visto os outros.

Créditos fotos: Kiki Around the World

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Guilherme Canever – Um aventureiro desbravando a África

O aventureiro Guilherme Canever passou seis meses rodando pela África, desbravando o continente negro através de savanas, florestas, lagos, praias e até ilhas, isso sem esquecer as amizades feitas pelo caminho. Essa aventura rendeu o livro ” De Cape Town a Muscat – Uma aventura pela África”, uma leitura prazerosa que nos dá um desejo imenso de fazer o mesmo.

Nessa entrevista, ele relata como foi essa experiência!

ENTREVISTA:

Africa Eterna A Africa é um continente fascinante, cada país tem uma particularidade, qual deles te surpreendeu mais?
Guilherme Canever: Me surpreendi diversas vezes, com certeza poderia divagar um pouco sobre cada país. Algumas marcaram bastante como a organização, limpeza e carros parando para você atravessar a rua em Kigali, Ruanda. A alegria, senso comunitário e hospitalidade de pessoas que não tinham quase nada, e que o mundo ocidental chamaríamos de “pobres”. A cultura e orgulho dos etíopes. A luta pela paz e reconhecimento do povo na Somalilândia.
Na Boleia
AE – Qual foi o momento mais dificil vivido durante a viagem?
Uma viagem por terra no continente africano é dura, com certeza um desafio físico e psicológico. Mas a recompensa é muito grande, fazendo valer cada obstaculo.
Careca
AE- Essa aventura pela África mudou a sua concepção a respeito de algo na sua vida? Visto que as viagens ampliam nossos horizontes.
Talvez nunca tenha dado tanto valor à vida quando estava viajando por lá. Uma viagem que te faz pensar muito. A certeza de que a felicidade não vem das coisas. O aproveitar e agradecer o dia que está vivendo, sem pensar muito no amanhã. A necessidade e dependência da ajuda do próximo só faz com que a gente desenvolva a humildade e gratidão. Poucas vezes na vida fui tão feliz quanto quando estava viajando pela África.
AE- Notei a ausência do Zimbabue no seu roteiro, foi devido a insegurança no país?
Não. Nunca tive um roteiro definido. Em certo momento meu plano era entrar no Zimbábue pelas Cataratas Victória, vindo da Zâmbia, e ir até o Malauí. Por uma questão de tempo eu acabei não fazendo isto. Adoraria ter explorado o Zimbábue. Está nos planos.
Casa de Cha
AE – Se tivesse que escolher um país na África para viver, qual deles escolheria dentre aqueles que você visitou?
Seria uma escolha difícil. Gostei de todos, cada um com suas características. As fronteiras na África foram criadas pelos europeus. Muitas regiões se parecem mais culturalmente com regiões de outros países do que com o restante do “país” que fazem parte. Moraria um tempo em qualquer um deles.
Muito obrigado Guilherme
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Crédito: Globo.com